Heróis de verdade


Resumo: “Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros”. (Roberto Shinyashiki)

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Marco Leonardelli Lovatto

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Abaixo, trechos da entrevista completa “Cuidado com os burros motivados”, com Roberto Shinyashiki, à revista ISTOÉ. Roberto já foi citado neste blog no texto Os políticos somos nós, com a frase “a maioria não é modelo de sucesso”, título de outro texto.

Heroi

“Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros”.

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“O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa”.

[…]

“É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder”.

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“Os MBAs ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades”.

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“Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito”.

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“Eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis”.

Espero que esses trechos incentivem-o a ler a entrevista completa. Finalmente, concluo com outra frase inspiradora: “A única pessoa que você deveria superar é a pessoa que você era ontem” [1].

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Referências:

[1] I May Not Know Too Much, But This I Know

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Leia também:

Jogo da Vida

Os políticos somos nós

A maioria não é modelo de sucesso

Independência não existe

A crise não é econômica


Resumo: Originalmente, as crises de 1929 e 2008 não foram crises econômicas, e sim financeiras. Afinal, não houve qualquer catástrofe: os recursos naturais, as pessoas e os produtos dos quais dependemos continuavam lá. A verdadeira economia estava intacta, tendo sido prejudicada unicamente pela falta da ferramenta de troca. No entanto, trabalho é o fundo que menos falta.

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Marco Leonardelli Lovatto

Em 1929 e 2008 não houve crise econômica. Naqueles anos, o dinheiro que desapareceu nem sequer existiu, pois não representava valor real de algo que pudéssemos utilizar. Era um valor de mentira: dinheiro inflado por dívidas sobre juros e hipotecas que se tornaram impagáveis. Para quem fez os empréstimos, motivados pelo lucro dos juros, bastava acreditar que eles seriam pagos para que a produção continuasse circulando.

Para quem emprestou dinheiro, bastava acreditar que ele voltaria para que a produção continuasse circulando.

Mas, de repente, quando se descobriu o rombo financeiro, decidiu-se que as fábricas deveriam parar e os funcionários deveriam ser demitidos, gerando abalo econômico.

Crise econômica, na sua origem, só ocorre quando há terremoto, tsunami, incêndio, furacão, guerra, epidemia, atentado terrorista… enfim, situações onde há perda de vidas e de potencial de produção, o que afeta, por sua vez, quem conseguiu sobreviver.

Contrariamente a uma verdadeira crise econômica, enquanto George W. Bush fazia seu pronunciamento em 24 de setembro de 2008 anunciando a quebra, as casas de todas as pessoas continuavam lá. Os carros continuavam lá. As pessoas continuavam de roupa. E, se as roupas estivessem sujas, as máquinas de lavar continuavam lá. As plantações estavam repletas de alimento e os mercados repletos de produtos. Tudo exatamente como no dia anterior. Pasme: naquele 24 de setembro, nada foi abduzido por extraterrestres. Todos os produtos que permitiam a sobrevivência, conforto, saúde, diversão e educação das pessoas continuavam lá. Aquilo do qual realmente dependemos permanecia disponível. A verdadeira economia estava intacta.

A crise financeira internacional só tornou-se crise econômica por que as pessoas acreditam que são dependentes das finanças. Entretanto, não dependemos fundamentalmente do dinheiro, e sim das pessoas e dos recursos naturais.

Quando se descobriu a quebra financeira, a verdadeira economia estava intacta. O motivo é que não dependemos fundamentalmente do dinheiro, e sim das pessoas e dos recursos naturais.

Leia: Independência não existe

Mesmo assim, porque o dinheiro desapareceu, de repente muitas pessoas e grupos não tinham mais direito a acessar aquilo que continuava disponível.

Há muito, quem sabe desde sempre, o mundo está imerso numa grande confusão entre a economia e as finanças. São duas coisas distintas: economia (ou economia real) é a circulação de produtos, finanças é a ferramenta que o homem encontrou para organizar essa circulação. É claro que a moeda foi criada com o intuito de se facilitar as trocas, mas devemos considerar normal que sua expansão desproporcional a qualquer natureza, e consequente “falta”, deva impedir tais trocas? Aonde está o problema? Qual a origem dessa “bolha”? Num sistema financeiro desregrado ou no o maior valor dado às finanças sobre aquele dado à economia real, ou seja, às pessoas e recursos naturais de que dependemos?

Qual a origem dessa “bolha”? Num sistema financeiro desregrado ou no o maior valor dado às finanças sobre aquele dado à economia real, ou seja, às pessoas e recursos naturais de que dependemos?

Mario Sergio Cortella [1] diz que momento de crise também é momento de oportunidade. Crise gera dúvida, e não haveria avanço nas ciências, na economia, na humanidade, na vida pessoal, se as pessoas não tivessem dúvida.

É sempre melhor não ter certeza das coisas. É a dúvida que faz o homem avançar, não a certeza. A certeza pode levar ao engano, já a dúvida conduzirá à descoberta. Em 1929 e 2008, todos sentiram falta de fundos financeiros. No entanto, trabalho é o fundo que menos falta.

Trabalho é o fundo que menos falta.

Leia: Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Inspirações:

Le Laboureur et ses Enfants (O Lavrador e Seus Filhos) – fábula de Jean de la Fontaine.

Living on the edge – Elf Pavlik; Waking Up Movie; Peter Joseph – A grande questão.

Referências:

[1] Mario Sergio Cortella, Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, 13ª ed, Petrópolis, Vozes, 2011.

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