O que é “Open Space”?


Resumo: “Open Space” (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa, onde os tópicos são propostos pelos participantes, e estes são livres para transitar entre as discussões. O resultado é uma experiência de liberdade num ambiente de criação e aprendizado de mão dupla.

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Marco Leonardelli Lovatto

Pré-Start, 17.10.2012

Pré-Start: co-criação de conceitos de um “evento sustentável”. Net Impact Porto Alegre.

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O Open Space (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa.

Num encontro onde é praticado o Open Space, não há apenas um foco de discussão, mas diversos. Cada foco é um tópico, possivelmente uma pergunta, do tipo: “Por que os impostos nos são impostos?”.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro. Cada tópico vai chamar atenção de quem compartilha competências ou inquietações semelhantes, referentes ao tópico.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro.

Tópicos semelhantes podem fundir-se num único tópico.

Tópicos diferentes são grupos diferentes, e grupos diferentes ficam em espaços diferentes. Existem três regras fundamentais:

1. Atraso do julgamento: não elimine ideias aparentemente ruins, pois podem juntar-se com outras e gerar algo genial.
2. Diálogo: falar com intenção e ouvir com atenção.
3. Regra dos dois pés: se você não está contribuindo ou aprendendo, utilize seus dois pés e saia do grupo, migrando para outro livremente. Não precisa nem dar tchau, o que interromperia o diálogo.

Quem propôs a discussão é o anfitrião, o único que deve permanecer no grupo e o responsável por:

1. Acolher quem quiser entrar e não questionar quem quiser sair.
2. Fazer a “colheita” (tomar notas) daquilo que está sendo co-criado.

Os diálogos em grupos têm uma duração determinada, chamada “sessão”. Ao fim da sessão, o anfitrião de cada tópico apresenta o resultado da co-criação a todos os outros.

É possível haver uma segunda sessão, terceira, quarta,… com novos tópicos ou continuando os anteriores.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

Se você estiver participando de um verdadeiro Open Space e não conseguir conversar sobre aquilo que você realmente quer, a culpa é toda sua. 🙂

Ah! E não esqueça de deixar o café e o lanche liberados. Afinal, se nos encontros tradicionais é só no coffee break onde falamos sobre o que realmente queremos, por que não transformar o coffee break no próprio encontro? 😀

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Inspiração: Estaleiro Liberdade – Preview.

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Leia também:

Jogo da Vida

Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

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A grande incoerência


Resumo: você costuma usufruir gratuitamente de obras facilmente copiáveis, sem autorização dos criadores para tal? A viabilidade de uma ação não significa que sejamos livres para executá-la. Não podemos justificar erros com a desculpa de que existem erros maiores, e esse é o problema em qualquer tipo de corrupção, a qual ocorre nas mais diversas escalas.

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Marco Leonardelli Lovatto

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Wall-E é um criminoso pelas leis canadenses [1].

Vejo inovações a todo momento, desde telefones celulares até músicas e filmes, e concordo: os produtores de obras facilmente copiáveis, especialmente aquelas em formato digital, sofrem de uma grande inércia de adaptação às novas tecnologias de distribuição e compartilhamento. Em contrapartida, vejo também pessoas agindo como se os produtos criados pelo homem tivessem surgido como mágica. Como se não houvesse pessoas por trás, trabalhando. Como se inovação e arte não demandassem esforço algum, mesmo quando ele é natural e feito com paixão.

Vivemos numa sociedade capitalista, onde todos que conheço são incapazes de abrir mão do salário ou do lucro. Ironicamente, são os mesmos que não fazem questão de pagar um tostão sequer aos produtores de softwares e filmes, que trabalharam para nos oferecer tal conforto tecnológico, aprendizado e diversão. Essa é, na minha opinião, a grande incoerência da sociedade onde vivo.

A validade ou não de se copiar obras protegidas por direitos autorais é um assunto que passa completamente batido, pois a cultura (conjunto de crenças e práticas) já absorveu a cópia gratuita de produtos digitais (sem a permissão dos seus criadores) como algo normal. O principal argumento é: “só vou assistir, não tenho fins lucrativos”.

Nada espantoso, afinal a lei brasileira [2] garante esse direito ao cidadão: diz que a cópia não autorizada é crime apenas se houver fins de lucro. No entanto, ao assistirmos um filme, por exemplo, a diversão e o aprendizado resultantes não são também formas de lucro?

O que é o lucro? Lucro pode ser visto como um conceito econômico definido. No entanto, às vezes, temos conceitos excessivamente prontos e que funcionam como uma barreira à compreensão mais profunda, à identificação de problemas e encontro de soluções.

Da maneira mais simples possível, lucro é o resultado do nosso trabalho. O lucro original, e o mais importante, é o alimento: resultado do trabalho de pecuária ou agricultura. Como o trabalho humano tornou-se mais diversificado, o lucro também se tornou mais diversificado. Bens e serviços que nos oferecem segurança, saúde, conforto, educação e diversão são formas diversificadas de lucro. Podemos usufruir dessa diversidade, proporcionada pelo trabalho alheio, porque também temos o nosso trabalho a oferecer aos outros. Então, lucro é tudo o que podemos acessar graças ao nosso trabalho.

Lucro é tudo o que podemos acessar graças ao nosso trabalho. O lucro original, e o mais importante, é o alimento.

Leia: Independência não existe

O dinheiro, na sua concepção original, não passa de uma mera ferramenta que nos permite acessar o que é feito pelo trabalho dos outros. O fato de alguém vender um produto, ao invés de dar de presente, é apenas uma forma de se receber o dinheiro equivalente ao serviço prestado com a finalidade de ter acesso ao trabalho de seus fornecedores e colaboradores, bem como ao trabalho daqueles que podem atender suas necessidades e desejos pessoais (alimentação, moradia, transporte, comunicação, …). O problema surge quando o dinheiro é visto como um objeto a ser ostentado, e não como uma ferramenta:  “os artistas e indústria cinematográfica já têm o suficiente, mas eu não!”.

Leia: Jogo da vida

Imagine que você está em casa assistindo um filme que ganhou de presente. Você está acessando algo criado pelo homem e que não dependeu do seu trabalho. Isso só é possível graças ao trabalho de quem lhe deu o presente. Por outro lado, quando o cidadão não produziu, não ganhou de presente e não pagou por um produto do qual usufrui, então algo está errado: está havendo lucro de conforto, diversão, etc, através do trabalho alheio sem se respeitar a forma de retorno escolhida pelos criadores.

Escrever este texto me consumiu tempo e energia, mas é um presente que lhe dou! Afinal, somos livres. Lhe dou esse presente porque sou livre. Mas… copio uma obra que não me deram de presente porque sou livre? O que é liberdade?

Pra mim, liberdade é poder escolher e fazer o que eu acredito… na condição de respeitar o que os outros escolhem e fazem. Toda liberdade é condicional.

Claro que a tecnologia deveria ser a fonte de soluções, e não de problemas. Acredito que todos queremos uma sociedade inundada de cultura, mas os caminhos para isso devem se encontrar, jamais se opor.

Acredito que todos queremos uma sociedade inundada de cultura, mas os caminhos para isso devem se encontrar, jamais se opor.

Nessa questão, há pelo menos três problemas:

Primeiro, a definição de lucro no senso comum, restrita à moeda, ao invés de tudo aquilo que é resultado do trabalho humano.

Segundo, a dificuldade de adaptação às novas tecnologias por parte dos produtores de obras facilmente copiáveis, especialmente se estas estão em formato digital. Não apenas por parte dos produtores, mas de toda a cadeia de serviços relacionada. Também, não apenas dificuldade de adaptação às novas tecnologias, mas igualmente às novas necessidades e, principalmente, novas expectativas dos usuários.

Os produtores de obras facilmente copiáveis têm dificuldade de adaptação às novas tecnologias, necessidades e, principalmente, às novas expectativas dos usuários.

Terceiro, o fato de que os cidadãos não lembram que a viabilidade de uma ação não significa que sejamos livres para executá-la. E esse é o problema em qualquer tipo de corrupção, a qual ocorre nas mais diversas escalas.

O que parece ser justo nem sempre é o correto.  Por esse motivo, acredito que as mudanças devem vir de pelo menos três instâncias:

  1. Re-conceituação do lucro a tudo o que podemos acessar graças ao nosso trabalho.
  2. Adaptação dos produtores de obras facilmente copiáveis a novos modelos de negócio.
  3. Consciência dos consumidores de que:

           3.1.  A disseminação fácil e gratuita de obras foi permitida pela tecnologia, mas não pelos produtores.

            3.2.  Viabilidade não é sinônimo de liberdade.

            3.3.  Qualquer aquisição que não seja presente é desrespeito à forma de retorno escolhida pelo produtor ou fornecedor.

            3.4. Não podemos justificar erros com a desculpa de que existem erros maiores.

Viabilidade não é sinônimo de liberdade. Não podemos justificar erros com a desculpa de que existem erros maiores.

Eu tenho uma crença pessoal: de que leis não educam, assim como meios de vigilância e de repressão também não. São apenas ferramentas que tentam organizar e remediar uma sociedade que ainda não reconheceu sua interdependência.

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Referências:

[1] WALL-E, a Bill C-61 copyright criminal. Acesso em 12/01/2013.

[2] Lei 10.695 de 01/07/2003 – Dos crimes contra a propriedade intelectual.

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

Nem direita, nem esquerda: você mesmo


Resumo: desejar um Estado comunista e paternalista de economia planificada é sinal de imaturidade, da mesma forma que a valorizar a concepção competitiva do liberalismo num mundo que é essencialmente interdependente. Por outro lado, estamos no início de um mundo auto-organizado de responsabilidade compartilhada, onde ”podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos” [1].

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Marco Leonardelli Lovatto

Existe um pré-conceito muito grande contra aqueles que questionam as práticas atuais: muitos dos que acreditam em mudanças são imediatamente taxados de comunistas ou esquerdistas, enquanto suas ideias não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20. Esse é o caso dos Trilhos de Mão Dupla.

As ideias de muitos dos que acreditam em mudanças não passam nem perto de qualquer princípio encontrado no século 20.

Falta educação? Falta urbanismo? Falta infraestrutura? Você já reparou como as mudanças mais importantes para a sociedade levam tanto tempo para ocorrer? Se você acha que isso é devido à falta de dinheiro, eu acho que é devido à falta de responsabilidade dos próprios cidadãos, como aqueles que, de fato, produzem os bens da sociedade.

É claro que o Estado, como ele é hoje, tem o papel de garantir o essencial a todos os cidadãos de forma a não deixa-los à mercê de interesses individualistas dos proprietários dos meios de produção. Isso é louvável, historicamente falando. Entretanto, acreditar na perpetuação dessa forma de governo paternalista é assinar o próprio atestado de imaturidade.

Através do nosso trabalho, somos nós, cidadãos, individualmente ou reunidos em grupos (como as empresas), os responsáveis pela produção e circulação dos bens e serviços dos quais dependemos. Não os governos. Os governos tem a função de gerenciar recursos, provenientes dos impostos, mas quem faz acontecer as obras de infraestrutura, por exemplo, são outros trabalhadores, cidadãos funcionários de empreiteiras contratadas pelo governo, não necessariamente envolvidos com algum partido político.

Nessas licitações de obras, diga-se de passagem, é comum aparecerem critérios doentes baseados no preço, e não na qualidade. E quem paga essas obras não é o governo, somos nós, cidadãos, através dos tais de impostos. Pagamos obras baratas, demoradas e de má qualidade.

Nessa circunstância, como podemos acreditar que serão os governos, sozinhos, solucionadores dos problemas? Onde os próprios governantes e partidos competem entre si por cargos e poder, ao invés de se deterem àquilo que nos é importante? Como podemos acreditar que um modelo baseado na competição por dinheiro pode nos fornecer um estado de confiança nas pessoas e nos ambientes públicos, fruto da verdadeira qualidade de vida? Como podemos acreditar que podemos conquistar a “independência”, enquanto a maioria das pessoas não sabe cultivar o próprio alimento?

Como podemos acreditar que serão os governos, sozinhos, solucionadores dos problemas? Onde os próprios governantes e partidos competem entre si por cargos e poder, ao invés de se deterem àquilo que nos é importante?

Acredito que sempre precisaremos de instituições representativas, mas será mesmo que precisamos de alguém dizendo-nos o que fazer, e de que forma, como pregam os verdadeiros comunistas de economia planificada? De maneira equivalente, será mesmo que a concepção ganha-perde do liberalismo (o cada-um-por-si) atende ao fato de que, em sociedade, ninguém pode ser independente? Ao fato de que, embora possamos ser autônomos, somos todos interdependentes?
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Na verdade, os próprios cidadãos são mais capazes que o governo de resolver seus problemas. Afinal, se o Estado toma uma suposta decisão insana de não contratar uma empresa para consertar as máquinas do tratamento de água, de forma que ela não chegue potável em nossas casas, nós vamos usar água contaminada para sempre? É claro que não: nós vamos nos auto-organizar e fazer o que precisa ser feito em nome do nosso bem.

Os próprios cidadãos são mais capazes que o governo de resolver seus problemas. Sempre que necessário, nós vamos fazer o que precisa ser feito em nome do nosso bem.

E é justamente isso o que tem acontecido cada vez mais: auto-organização. Dê uma olhada nos seguintes exemplos de sucesso:

  • as plataformas de financiamento coletivo, como o Catarse (financiamento de projetos) ou o Impulso (financiamento de negócios).
  • o filme-documentário por uma Educação diferente, em formato livre, La Educación Prohibida, financiado coletivamente.
  • a plataforma de encontros inspiradores Nos.vc, baseada no fato de que todos temos algo a aprender e algo a ensinar.

Tais exemplos provam o quão madura a população é capaz de ser, em oposição a quem acredita que pagar corretamente seus impostos é o melhor que se pode fazer. Acreditar no simples pagamento de imposto ao governo como única forma possível de cumprir na plenitude seu papel social é uma maneira confortável e ultrapassada de viver no cada-um-por-si.

Leia: Onde estão os líderes?

Progresso social envolve cultura, tecnologia, educação, diversão e tudo mais que promova a confiança entre pessoas e grupos através das relações que eles são capazes de construir, utilizando-se do princípio da interdependência.

Progresso social envolve tudo que promova a confiança entre pessoas e grupos através das relações que eles são capazes de construir, utilizando-se do princípio da interdependência.

Graças à internet, que nos aproxima, o mundo está mudando. Rápido. Acompanhe alguns outros protagonistas dessas mudanças:

  • Cidades para Pessoas – um projeto jornalístico que busca, pelo mundo, boas práticas e ideias para melhorar as cidades para seus moradores.
  • Net Impact: rede de impacto positivo que busca educar, conectar e inspirar pessoas nos valores da sustentabilidade nos negócios. Página do Face.
  • Engage – focada em desenvolvimento de software para engajamento. Desenvolvem as soluções ideais de engajamento para cada comunidade, diminuindo a lacuna entre a intenção e a ação. Página do Face.
  • Estaleiro Liberdade – uma escola para quem quer ser livre e reconectar-se com seu sonho. Um ambiente acolhedor e de aprendizado mútuo voltado a pessoas que querem muito mais do que apenas um emprego, e sim desenvolver projetos que gerem impacto positivo na sua comunidade ou no mundo. Página do Face.
  • Benfeitoria – plataforma criada para dar vida a ideias transformadoras, gerando uma rede composta por agentes de mudança e de esforço coletivo, em prol de uma nova economia baseada na cultura da colaboração e compartilhamento. Página do Face.
  • Cria Global – cria, descobre, desenvolve e implementa negócios de valor compartilhado. Procura acelerar o desenvolvimento dos modelos sociais, consciente de que o mundo é interdependente e está em constante evolução. Página do Face.
  • Substantiva – escola de convivência para quem não separa trabalho e vida pessoal, e sim busca um desenvolvimento integral. Página do Face.
  • Shoot The Shit – organização de projetos e ações locais com impacto global. Página do Face.
  • PortoAlegre.cc – espaço de colaboração cidadã, onde você pode conhecer, debater, inspirar e transformar a cidade de Porto Alegre. Página do Face.
  • Blog PortoImagem – espaço de deliberação pública em assuntos relacionados à arquitetura, urbanismo e mobilidade urbana de Porto Alegre. Página do Face.

De fato, “podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”. Quem diz isso é Don Tapscott, no vídeo abaixo, extremamente representativo das mudanças pelas quais já estamos passando. Basta você se envolver. Basta você se engajar.

Leia: Os políticos somos nós

“Podemos alcançar uma nova era de promessas cumpridas se todos nós nos envolvermos”:


“Não estamos apenas estudando a História do homem, estamos moldando-a” [2].

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Inspiração:

Clay Shirky – Future Transformations

Referências:

[1] Don Tapscott – Macrowikinomics: novas soluções para um planeta conectado

[2] Invisible Children – Kony 2012

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Textos relacionados:

Onde estão os líderes?

Independência não existe

Os políticos somos nós

Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Onde estão os líderes?


Resumo: você trabalha vivendo ou vive trabalhando? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Você trabalha com o propósito de gerar valor socialmente útil ou apenas como uma ferramenta de gerar valor financeiro?

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Marco Leonardelli Lovatto

Se você não está cultivando o próprio alimento, é porque alguém está fazendo isso por você. O trabalho é fundamental à vida. Mas você deseja viver trabalhando ou, quem sabe, trabalhar vivendo? O que está dentro de ti, hoje?

É verdade que nós só precisamos de dinheiro porque os outros também precisam. Mas, se você não precisasse de dinheiro, o que você faria para nós?

No trabalho, nos estudos e perante à sociedade, você escolheu ou foi escolhido? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Se sua resposta for sempre a segunda, cuidado: você não vive numa democracia.

Estou falando de uma completa desordem de valores, onde o dinheiro é o maior condutor das decisões humanas e, claro, da persuasão [1]. “Hoje, vivemos numa democracia”. Óbvio? Não, porque está errado. Vivemos num sistema onde o verdadeiro poder sempre foi financeiro, em oposição ao poder de inspirar ações com propósito.

Leia: Nem direita, nem esquerda: você mesmo

Cuidado com o óbvio. “É uma âncora que paralisa o pensamento e induz à falsidade, à distorção, ao erro” [2].

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais. Daí vem as palavras “missão” e “recrutamento”. Tais grupos não lhe querem trabalhando com elas, mas para elas. Salvo algumas exceções, não há interesse por pessoas inovadoras: elas querem trabalhadores obedientes. Portanto, se você acha que essas grandes e antigas empresas corporocráticas estão tentando contratar as pessoas mais bem informadas, perceptivas e criativas, desculpe-me em desapontá-lo.

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais, buscando trabalhadores obedientes.

A maioria dessas corporações mantém uma estrutura organizacional verticalizada e de comunicação unidirecional, de cima para baixo, sem que os cargos inferiores sejam prontamente ouvidos pelos superiores. Tudo para manter o status quo financeiro do cargo, onde o chefe está lá, preso à hierarquia, muito mais por ser alguém capaz de fazer dinheiro do que alguém capaz de inspirar pessoas.

Ali, o que se quer são pessoas suficientemente capazes de conduzir as tarefas determinadas pelo alto da hierarquia e ingênuas o suficiente para aceitar passivamente toda essa dominação tradicional. É uma dominação legítima que transforma o trabalhador numa ferramenta de gerar valor financeiro – para o grupo ou para si mesmo -, ao invés de num ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra: gerar um valor socialmente útil.

É muito comum os trabalhadores sentirem-se uma ferramenta de gerar valor financeiro, ao invés de um ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra.

Leia: Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

De fato, há muitos chefes que não são líderes, porque não inspiram. Acreditam no dinheiro como o fundamento da sobrevivência própria e da corporação e que, através dele, pode-se ser independente. Entretanto, num mundo onde a maioria das pessoas não cultiva o próprio alimento, podemos mesmo ser “independentes”? Uma pessoa ou um grupo pode se auto-organizar, se auto-administrar, mas jamais será independente. Em sociedade, nós somos, na verdade, interdependentes.

Leia: Independência não existe

Se você acha, também, que práticas incorretas e as notícias ruins que vemos no jornal, rádio e televisão são exceções frente a um mundo baseado em valores humanos, triste ilusão. Basta discutir com alguns consultores de negócios – daqueles que acreditam no dinheiro como a solução para tudo – e você vai descobrir: planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não passa de negócios como de costume.

Planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não é a exceção de um mundo baseado em valores humanos. Tristemente, não passa de negócios como de costume.

O mesmo acontece na esfera da política partidária e instituições governamentais no mundo inteiro. Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas nessa esfera devido ao poder da mídia tradicional, que frequentemente quer proteger seus interesses e não necessariamente as verdadeiras necessidades do seu público-alvo. Qual empresa de jornal, rádio ou televisão você conhece que utiliza a internet como canal eficiente para constante discussão com os cidadãos sobre aquilo que é noticiado, de forma aberta e amplamente visível a todos? No Brasil, não conheço nenhuma.

Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas na esfera da política partidária e instituições governamentais devido ao poder da mídia tradicional.

Leia: A maioria não é modelo de sucesso

A grande maioria das pessoas no mundo sabe o que faz. Algumas sabem como fazem. Poucas, muito poucas, sabem porque fazem algo que não é pelo dinheiro [3]. São pessoas que, mesmo não precisando de dinheiro, continuariam trabalhando. É gente que tem um propósito de trabalho ligado à sua paixão e em nome da qualidade de vida coletiva. Gente que não está presa a espécie alguma de hierarquia, sendo verdadeiros líderes ou verdadeiros liderados, inspirados, e não expirados. Um trabalho que cansa, mas não estressa, pois se conhece o propósito, o resultado, aonde se quer chegar: o horizonte.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1]. E, para lhe dar a certeza de que nós não estamos apenas estudando a História do homem, mas também a moldando, lhe convido a ler o próximo texto: “Nem direita, nem esquerda: você mesmo”. Ali eu deixo uma série de exemplos de verdadeiros líderes – passando bem longe de Steve Jobs – que estão começando a mudar o mundo, também uma grande esperança à verdadeira democracia.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1].

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Inspirações:

George Carlin – The American Dream

Referências:

[1] Peter Joseph – Culture in Decline.

[2] Mario Sergio Cortella, Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, 13ª ed, Petrópolis, Vozes, 2011.

[3] Simon Sinek – Como grandes líderes inspiram ação.

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Independência não existe

A maioria não é modelo de sucesso

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

Os políticos somos nós


Resumo: Nossa sociedade está mergulhada numa angustiante descrença nas instituições representativas, o que é compreensível. Entretanto, é ilusão procurar por pessoas que serão, sozinhas, solucionadoras de problemas. Afinal, quem constrói esse mundo somos nós, com as nossas atitudes.

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Marco Leonardelli Lovatto

Concordo que a existência de corrupção entre os representantes políticos seja um problema gravíssimo. Entretanto, isto é apenas o reflexo do que a própria população tem buscado: escapar de um mundo ineficiente e individualista, priorizando o conforto próprio sem saber diferenciar o que é justo do que é correto.

Corrupção na política é apenas o reflexo do que a própria população tem buscado: o conforto próprio sem saber diferenciar o que é justo do que é correto.

Transparência,  ficha limpa, extinção do voto secreto e extinção da imunidade parlamentar são todos bons caminhos para combater a corrupção na sua forma mais conhecida. Mesmo assim, pedir exímia conduta dos nossos governantes exige modéstia e que coloquemos em dúvida as práticas dos próprios cidadãos.

Perguntamos com frequência: quanto o governo roubou? Mas esquecemos de perguntar: quanto o cidadão não foi correto com alguém, pois tirar vantagem foi exclusivamente o que ele pensou?

Por exemplo: nós, eleitores, não demos aos governantes a liberdade roubar, da mesma forma que muitos autores de obras digitais não nos deram a liberdade de disseminar cópias de seus trabalhos ou de adquiri-las semi-gratuitamente. A aquisição mal-paga de produtos digitais protegidos por direitos autorais está incrustado na nossa cultura desde que a tecnologia passou a permitir. A tecnologia, não os autores das obras.

Nós não demos aos governantes a liberdade roubar, da mesma forma que muitos autores de obras digitais não nos deram a liberdade de disseminar semi-gratuitamente seus trabalhos.

Habitualmente, quem costuma baixar música protegida sem conhecer a fonte da cópia original argumenta que “é até melhor” para o artista, pois é um meio de “marketing gratuito”, promovendo-o em shows e publicidade de marcas. Concordo que disponibilizar músicas gratuitamente poderia até ser uma boa estratégia; no entanto, apenas o artista e o produtor têm o direito de decidir a respeito disso. Quem disse que uma banda deseja fazer grandes turnês mundiais para rentabilizar sua arte? Já falando de download de softwares, filmes e livros,  nem sequer se pode fazer shows com eles.

O cético vai insistir: “os produtores não vão ficar mais pobres, pois já têm o suficiente”. Novamente, cabe unicamente ao produtor fazer tal afirmação. Lembre-se: se você trabalha, você também produz. Você já tem o “suficiente”?

Por um lado, há uma grande resistência das produtoras, editoras e lojas em se adaptarem às novas tecnologias e ao fim das fronteiras no fluxo de informação e de obras digitais, o que ajuda a promover a pirataria. Por outro lado, é muito comum o consumidor confundir liberdade com viabilidade.

O cidadão que deixa de pagar por um produto protegido – e comercializado localmente – não o faz porque ele é livre, mas porque é uma ação viável. Neste caso, eu tenho o pesar de lhe informar, mas o dever de lhe dizer: este cidadão pensou exatamente da mesma forma que os políticos de quem gostamos de reclamar. A apropriação indevida foi considerada viável, possível e, por alguma razão, foi considerada justa.

O cidadão que deixa de pagar por um produto protegido não o faz porque ele é livre, mas porque é uma ação viável, e ele pensou exatamente da mesma forma que os políticos de quem gostamos de reclamar.

Um argumento típico ao se comparar as duas situações é o nível de gravidade, mas ela não elimina a existência de irresponsabilidade, qualquer que seja o caso.

O conforto das pessoas vem dos bens e serviços que elas consomem, e a produção desses produtos consome energia. Portanto, quanto maior o conforto, maior a energia consumida. Esta energia está embutida no valor de todo e qualquer produto, e parte dela é trabalho humano. O cidadão que não paga por um produto protegido, físico ou digital, não está contribuindo para a remuneração das pessoas que trabalharam para lhe oferecer aquele conforto. Portanto, ele  não é correto com o produtor e de forma totalmente análoga a qualquer outra forma de corrupção.

Pergunta-se, então: onde está a tão aclamada “justiça”? É comum ouvir dizer que não precisamos ser justos enquanto somos injustiçados. Seria algo como: “primeiro os governantes deixam de roubar, depois eu me preocupo em declarar todas minhas fontes de renda”. Entretanto, isso é responder ao egoísmo com egoísmo, ao desrespeito com desrespeito: fonte das mais graves ineficiências da sociedade, pois se está retroalimentando um ciclo doente.

Existe uma grande diferença entre ser justo e ser correto. Ser justo é responder em igual natureza e intensidade. Ser correto é responder com sua definição pessoal do que é o bem. Assim, a liberdade de cada um está na escolha entre (1) pisar na vida que te pisa e (2) mostrar o caminho certo para os que te pisam. Quem escolhe o primeiro mostra-se alinhado a uma sociedade extremamente doente, o que não pode ser louvável, pois é sinal de que se está tão doente quanto ela.

Existe uma grande diferença entre ser justo e ser correto. Ser justo é responder em igual natureza e intensidade. Ser correto é responder com sua definição pessoal do que é o bem.

George Carlin, comediante norte-americano, diz: “Os políticos não atravessaram uma membrana vindos de outra dimensão. Eles vieram de famílias americanas, escolas americanas, universidades americanas, empresas americanas… É o que nosso sistema produz: lixo entra, lixo sai”. De fato, a existência de corrupção entre os governantes é tão unicamente o reflexo da própria população, pois todos ainda compartilham do mesmo mundo competitivo e individualista, o que nos leva a priorizar o conforto próprio, custe “quem” custar, sem saber diferenciar o que é justo do que é correto.

Leia: Jogo da Vida

Como gosto de dizer, enquanto todos procurarmos o que é justo, ninguém encontrará o que é correto. Estamos promovendo, sem dar-nos conta, o mesmo mundo ineficiente do qual se quer escapar. Infelizmente, a corrupção é de mão dupla.

Enquanto todos procurarmos o que é justo, ninguém encontrará o que é correto.

Normalmente, preferimos aderir à opinião pública e à forma da maioria agir, pois isso nos dá conforto, já que não precisamos ser ousados. Entretanto, apontar para um criminoso e dizer “esse é um cara mau” não faz de você uma pessoa boa. Principalmente quando o melhor que se sabe fazer é culpar os “políticos” enquanto se esconde sobre diversos andares entre grades e cercas elétricas. Não. Isso definitivamente não nos torna bons.

Apontar para um criminoso e dizer “esse é um cara mau” não faz de você uma pessoa boa.

Cada um de nós é ruim na pretensão de ser o melhor [1] e, se estivéssemos fazendo o melhor, então estaríamos melhores. A maioria não é modelo de sucesso [2] e colocar em dúvida as práticas atuais é a melhor maneira de começar a mudar.

Por enquanto, apenas votar nas eleições é a coisa mais preguiçosa que podemos fazer. Sempre precisaremos de instituições representativas, mas é ilusão procurar por pessoas que serão, sozinhas, solucionadoras de problemas. É hora de quebrar paradigmas: quem constrói esse mundo somos nós, com as nossas atitudes.

 Os políticos somos nós.

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[1] Frase inspiradora de Pe. Marc Lambret.

[2] Frase inspiradora de Roberto Shinyashiki.

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Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas


Resumo: Funcionários que não são ouvidos pelos seus empregadores possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade. Ultrapassando a desigualdade de oportunidades de Ensino e Educação, a construção de uma ponte entre o patrão e o empregado, de comunicação bidirecional, é fonte de compreensão mútua e convergência de objetivos numa necessidade produtiva unânime, solidificando a base de qualquer grupo.

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Marco Leonardelli Lovatto

LeaderMuitas organizações ainda insistem numa via de comunicação unidirecional, dos administradores aos empregados, sem que os últimos sejam ouvidos. Esse sistema, que tenta inverter a pirâmide hierárquica como se a ponta fosse sua base, apenas gera instabilidade. Entretanto, a construção de uma ponte entre o patrão e o empregado, de comunicação bidirecional, é fonte de compreensão mútua e convergência de objetivos numa necessidade produtiva unânime, solidificando a base de qualquer grupo.

Minha intenção certamente não é de propor soluções infalíveis, mas mais modestamente de apresentar uma simples teoria, onde a crise internacional é muito mais que econômica: é uma crise de reconhecimento.

Uma vez li no site de uma grande empresa: “É impossível atingir a excelência nos resultados financeiros, de produtividade e de tecnologia sem valorizar as pessoas. […] Empregados motivados contribuem espontaneamente e comprometem-se com o bom desempenho e com os resultados organizacionais”.

Toda sociedade é composta por empregados/colaboradores, a base, o pedestal da pirâmide hierárquica. Então, o administrador, no topo, deveria ser o responsável não somente por seu produto, mas também por seus funcionários.

A responsabilidade do administrador é de harmonizar o grupo, rumo a uma necessidade produtiva unânime. Todavia, as necessidades não irão passar de interesses conflitantes enquanto a informação trafegar num único sentido: dos gestores aos empregados, sem que os últimos sejam ouvidos. Assim, os assalariados possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade.

Funcionários que não são ouvidos pelos seus empregadores possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade.

Esse sistema, chamado de via de comunicação unidirecional, é muito instável. Incrivelmente, ele persiste em numerosos estabelecimentos, onde as necessidades do funcionário acabam por se resumir nos direitos trabalhistas.

A melhor empresa para trabalhar não é aquela que promete salubridade, cargos e salários elevados. O empregado não deve esperar ter um plano de carreira colado no seu mural, da mesma maneira que o administrador não pode esperar ter um funcionário para sempre. Seja o administrador ou o empregado, nenhum deles deve esperar uma recompensa maior que a certeza de estar cumprindo com suas responsabilidades, certeza que vem do reconhecimento do papel da cada um. Quando o empregador torna-se não apenas um chefe, mas um líder para seu empregado, é bem provável que este trabalhe com gratidão e seja visto como indispensável pelo empregador.

Quando o empregador torna-se um líder para seu empregado, é bem provável que  este trabalhe com gratidão e seja visto como indispensável pelo empregador.

No momento do recrutamento, empregado e empregador não compartilham, geralmente, de objetivos em comum. De fato, eles não se conhecem. O empregado motivado quer a opinião de seu superior, e espera o seu apoio. No entanto, é possível que o gestor não mostre disponibilidade, pois acredita que a pró-atividade de seus empregados é automática e a única fonte de produtividade. Na verdade, a construção de uma ponte é muito importante e apenas o empregador pode colocar a primeira pedra: aquela de uma via de comunicação bidirecional, de mão dupla, fonte de reconhecimento e compreensão mútua.

A tarefa mais difícil é aquela do presidente. Ele deve motivar todos, sem que haja alguém acima que o motive. Se ele não vê uma utilidade nobre para seu trabalho, onde o dinheiro é a única recompensa, torna-se impossível motivar seus funcionários. Ora, se a organização passa ao empregado a sensação de que ele é dispensável, dependendo do ramo, é muito provável que a organização também seja dispensável para o empregado [2]. Resultado: crise, revoltas e falência.

Se a organização passa ao empregado a sensação de que ele é dispensável, dependendo do ramo, é muito provável que a organização também seja dispensável para o empregado [2].

É difícil dizer para alguém fazer algo que não se quer [3]. Então, não espere de uma pessoa aquilo que ela não pode dar. Mario Sergio Cortella, professor e filósofo, diz [4] que há uma enorme diferença de atitude e de postura entre vigiar e supervisionar. Vigiar é uma atitude passiva, à distância e desconfiada. Supervisionar é uma ação ativa, próxima e segura. “Quem dá uma festa supervisiona seus convidados, não os vigia”. Da mesma forma no trabalho: não se deve vigiar os funcionários, mas supervisioná-los, guardando uma atitude ativa, próxima e confiante que os motivará cada vez mais.

Quando um empregado é formado de maneira contínua por seu responsável, surge a percepção de pertencimento à história, ao contexto e ao funcionamento da organização. O assalariado terá, então, uma enorme capacidade de identificar as necessidades, que serão automaticamente ligadas aos objetivos daqueles que o empregaram. Como consequência, ele não apenas espera seu salário mensal, mas também se sente parte integrante de uma sociedade com um objetivo em comum. Por sua vez, o gestor ouve seu funcionário e reconhece, assim, mais facilmente as prioridades entre as necessidades.

Infelizmente, essa teoria não é infalível, mesmo com o melhor administrador do mundo, pois o bom senso das pessoas depende das oportunidades de aprendizado de cada um. Geralmente sabemos o que buscamos, mas nem todas as pessoas fazem o que elas querem: muitas fazem o que conseguem fazer.

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Infelizmente, essa teoria não é infalível, pois o bom senso das pessoas depende das oportunidades de aprendizado de cada um.

Ultrapassando a desigualdade de oportunidades de Ensino e Educação, com uma via de comunicação bidirecional, a tarefa de harmonizar as necessidades da organização e dos colaboradores torna-se incomparavelmente mais fácil. Terminamos por lembrar, então, do trecho no início deste texto: “É impossível atingir a excelência nos resultados financeiros, de produtividade e de tecnologia sem valorizar as pessoas”.

Na esfera das políticas públicas, as responsabilidades são sempre com as pessoas: físicas e jurídicas; e o objetivo também é a harmonia: deles e entre eles. Portanto, a ideia de comunicação bidirecional deveria ser igualmente válida.

E por que não em casa? Na família, nos esportes, entre os amigos? Enfim, em qualquer tipo de relação?

Aplique-a. A comunicação de mão dupla é construtiva para todos, fonte de acessibilidade, de colaboração e de compreensão mútuas. Em seguida, de produtividade, estabilidade e progresso.

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[2] Mario Sergio Cortella. Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. 13ª Edição. Editora Vozes. 2011.

[3] Thomas Philippon. Le capitalisme d’héritiers – La crise française du travail. Seuil. 2007.

[4] Mario Sergio Cortella. Viver em paz para morrer em paz (paixão, sentido e felicidade). Coleção O que a Vida me Ensinou. Editora Saraiva. 2009.

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

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