O que é “Open Space”?


Resumo: “Open Space” (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa, onde os tópicos são propostos pelos participantes, e estes são livres para transitar entre as discussões. O resultado é uma experiência de liberdade num ambiente de criação e aprendizado de mão dupla.

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Marco Leonardelli Lovatto

Pré-Start, 17.10.2012

Pré-Start: co-criação de conceitos de um “evento sustentável”. Net Impact Porto Alegre.

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O Open Space (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa.

Num encontro onde é praticado o Open Space, não há apenas um foco de discussão, mas diversos. Cada foco é um tópico, possivelmente uma pergunta, do tipo: “Por que os impostos nos são impostos?”.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro. Cada tópico vai chamar atenção de quem compartilha competências ou inquietações semelhantes, referentes ao tópico.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro.

Tópicos semelhantes podem fundir-se num único tópico.

Tópicos diferentes são grupos diferentes, e grupos diferentes ficam em espaços diferentes. Existem três regras fundamentais:

1. Atraso do julgamento: não elimine ideias aparentemente ruins, pois podem juntar-se com outras e gerar algo genial.
2. Diálogo: falar com intenção e ouvir com atenção.
3. Regra dos dois pés: se você não está contribuindo ou aprendendo, utilize seus dois pés e saia do grupo, migrando para outro livremente. Não precisa nem dar tchau, o que interromperia o diálogo.

Quem propôs a discussão é o anfitrião, o único que deve permanecer no grupo e o responsável por:

1. Acolher quem quiser entrar e não questionar quem quiser sair.
2. Fazer a “colheita” (tomar notas) daquilo que está sendo co-criado.

Os diálogos em grupos têm uma duração determinada, chamada “sessão”. Ao fim da sessão, o anfitrião de cada tópico apresenta o resultado da co-criação a todos os outros.

É possível haver uma segunda sessão, terceira, quarta,… com novos tópicos ou continuando os anteriores.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

Se você estiver participando de um verdadeiro Open Space e não conseguir conversar sobre aquilo que você realmente quer, a culpa é toda sua. 🙂

Ah! E não esqueça de deixar o café e o lanche liberados. Afinal, se nos encontros tradicionais é só no coffee break onde falamos sobre o que realmente queremos, por que não transformar o coffee break no próprio encontro? 😀

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Inspiração: Estaleiro Liberdade – Preview.

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Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

Onde estão os líderes?


Resumo: você trabalha vivendo ou vive trabalhando? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Você trabalha com o propósito de gerar valor socialmente útil ou apenas como uma ferramenta de gerar valor financeiro?

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Marco Leonardelli Lovatto

Se você não está cultivando o próprio alimento, é porque alguém está fazendo isso por você. O trabalho é fundamental à vida. Mas você deseja viver trabalhando ou, quem sabe, trabalhar vivendo? O que está dentro de ti, hoje?

É verdade que nós só precisamos de dinheiro porque os outros também precisam. Mas, se você não precisasse de dinheiro, o que você faria para nós?

No trabalho, nos estudos e perante à sociedade, você escolheu ou foi escolhido? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Se sua resposta for sempre a segunda, cuidado: você não vive numa democracia.

Estou falando de uma completa desordem de valores, onde o dinheiro é o maior condutor das decisões humanas e, claro, da persuasão [1]. “Hoje, vivemos numa democracia”. Óbvio? Não, porque está errado. Vivemos num sistema onde o verdadeiro poder sempre foi financeiro, em oposição ao poder de inspirar ações com propósito.

Leia: Nem direita, nem esquerda: você mesmo

Cuidado com o óbvio. “É uma âncora que paralisa o pensamento e induz à falsidade, à distorção, ao erro” [2].

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais. Daí vem as palavras “missão” e “recrutamento”. Tais grupos não lhe querem trabalhando com elas, mas para elas. Salvo algumas exceções, não há interesse por pessoas inovadoras: elas querem trabalhadores obedientes. Portanto, se você acha que essas grandes e antigas empresas corporocráticas estão tentando contratar as pessoas mais bem informadas, perceptivas e criativas, desculpe-me em desapontá-lo.

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais, buscando trabalhadores obedientes.

A maioria dessas corporações mantém uma estrutura organizacional verticalizada e de comunicação unidirecional, de cima para baixo, sem que os cargos inferiores sejam prontamente ouvidos pelos superiores. Tudo para manter o status quo financeiro do cargo, onde o chefe está lá, preso à hierarquia, muito mais por ser alguém capaz de fazer dinheiro do que alguém capaz de inspirar pessoas.

Ali, o que se quer são pessoas suficientemente capazes de conduzir as tarefas determinadas pelo alto da hierarquia e ingênuas o suficiente para aceitar passivamente toda essa dominação tradicional. É uma dominação legítima que transforma o trabalhador numa ferramenta de gerar valor financeiro – para o grupo ou para si mesmo -, ao invés de num ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra: gerar um valor socialmente útil.

É muito comum os trabalhadores sentirem-se uma ferramenta de gerar valor financeiro, ao invés de um ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra.

Leia: Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

De fato, há muitos chefes que não são líderes, porque não inspiram. Acreditam no dinheiro como o fundamento da sobrevivência própria e da corporação e que, através dele, pode-se ser independente. Entretanto, num mundo onde a maioria das pessoas não cultiva o próprio alimento, podemos mesmo ser “independentes”? Uma pessoa ou um grupo pode se auto-organizar, se auto-administrar, mas jamais será independente. Em sociedade, nós somos, na verdade, interdependentes.

Leia: Independência não existe

Se você acha, também, que práticas incorretas e as notícias ruins que vemos no jornal, rádio e televisão são exceções frente a um mundo baseado em valores humanos, triste ilusão. Basta discutir com alguns consultores de negócios – daqueles que acreditam no dinheiro como a solução para tudo – e você vai descobrir: planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não passa de negócios como de costume.

Planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não é a exceção de um mundo baseado em valores humanos. Tristemente, não passa de negócios como de costume.

O mesmo acontece na esfera da política partidária e instituições governamentais no mundo inteiro. Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas nessa esfera devido ao poder da mídia tradicional, que frequentemente quer proteger seus interesses e não necessariamente as verdadeiras necessidades do seu público-alvo. Qual empresa de jornal, rádio ou televisão você conhece que utiliza a internet como canal eficiente para constante discussão com os cidadãos sobre aquilo que é noticiado, de forma aberta e amplamente visível a todos? No Brasil, não conheço nenhuma.

Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas na esfera da política partidária e instituições governamentais devido ao poder da mídia tradicional.

Leia: A maioria não é modelo de sucesso

A grande maioria das pessoas no mundo sabe o que faz. Algumas sabem como fazem. Poucas, muito poucas, sabem porque fazem algo que não é pelo dinheiro [3]. São pessoas que, mesmo não precisando de dinheiro, continuariam trabalhando. É gente que tem um propósito de trabalho ligado à sua paixão e em nome da qualidade de vida coletiva. Gente que não está presa a espécie alguma de hierarquia, sendo verdadeiros líderes ou verdadeiros liderados, inspirados, e não expirados. Um trabalho que cansa, mas não estressa, pois se conhece o propósito, o resultado, aonde se quer chegar: o horizonte.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1]. E, para lhe dar a certeza de que nós não estamos apenas estudando a História do homem, mas também a moldando, lhe convido a ler o próximo texto: “Nem direita, nem esquerda: você mesmo”. Ali eu deixo uma série de exemplos de verdadeiros líderes – passando bem longe de Steve Jobs – que estão começando a mudar o mundo, também uma grande esperança à verdadeira democracia.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1].

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Inspirações:

George Carlin – The American Dream

Referências:

[1] Peter Joseph – Culture in Decline.

[2] Mario Sergio Cortella, Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, 13ª ed, Petrópolis, Vozes, 2011.

[3] Simon Sinek – Como grandes líderes inspiram ação.

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Textos relacionados:

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Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas


Resumo: Funcionários que não são ouvidos pelos seus empregadores possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade. Ultrapassando a desigualdade de oportunidades de Ensino e Educação, a construção de uma ponte entre o patrão e o empregado, de comunicação bidirecional, é fonte de compreensão mútua e convergência de objetivos numa necessidade produtiva unânime, solidificando a base de qualquer grupo.

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Marco Leonardelli Lovatto

LeaderMuitas organizações ainda insistem numa via de comunicação unidirecional, dos administradores aos empregados, sem que os últimos sejam ouvidos. Esse sistema, que tenta inverter a pirâmide hierárquica como se a ponta fosse sua base, apenas gera instabilidade. Entretanto, a construção de uma ponte entre o patrão e o empregado, de comunicação bidirecional, é fonte de compreensão mútua e convergência de objetivos numa necessidade produtiva unânime, solidificando a base de qualquer grupo.

Minha intenção certamente não é de propor soluções infalíveis, mas mais modestamente de apresentar uma simples teoria, onde a crise internacional é muito mais que econômica: é uma crise de reconhecimento.

Uma vez li no site de uma grande empresa: “É impossível atingir a excelência nos resultados financeiros, de produtividade e de tecnologia sem valorizar as pessoas. […] Empregados motivados contribuem espontaneamente e comprometem-se com o bom desempenho e com os resultados organizacionais”.

Toda sociedade é composta por empregados/colaboradores, a base, o pedestal da pirâmide hierárquica. Então, o administrador, no topo, deveria ser o responsável não somente por seu produto, mas também por seus funcionários.

A responsabilidade do administrador é de harmonizar o grupo, rumo a uma necessidade produtiva unânime. Todavia, as necessidades não irão passar de interesses conflitantes enquanto a informação trafegar num único sentido: dos gestores aos empregados, sem que os últimos sejam ouvidos. Assim, os assalariados possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade.

Funcionários que não são ouvidos pelos seus empregadores possivelmente não verão a importância do seu trabalho reconhecida, o que conduz à falta de motivação e baixa produtividade.

Esse sistema, chamado de via de comunicação unidirecional, é muito instável. Incrivelmente, ele persiste em numerosos estabelecimentos, onde as necessidades do funcionário acabam por se resumir nos direitos trabalhistas.

A melhor empresa para trabalhar não é aquela que promete salubridade, cargos e salários elevados. O empregado não deve esperar ter um plano de carreira colado no seu mural, da mesma maneira que o administrador não pode esperar ter um funcionário para sempre. Seja o administrador ou o empregado, nenhum deles deve esperar uma recompensa maior que a certeza de estar cumprindo com suas responsabilidades, certeza que vem do reconhecimento do papel da cada um. Quando o empregador torna-se não apenas um chefe, mas um líder para seu empregado, é bem provável que este trabalhe com gratidão e seja visto como indispensável pelo empregador.

Quando o empregador torna-se um líder para seu empregado, é bem provável que  este trabalhe com gratidão e seja visto como indispensável pelo empregador.

No momento do recrutamento, empregado e empregador não compartilham, geralmente, de objetivos em comum. De fato, eles não se conhecem. O empregado motivado quer a opinião de seu superior, e espera o seu apoio. No entanto, é possível que o gestor não mostre disponibilidade, pois acredita que a pró-atividade de seus empregados é automática e a única fonte de produtividade. Na verdade, a construção de uma ponte é muito importante e apenas o empregador pode colocar a primeira pedra: aquela de uma via de comunicação bidirecional, de mão dupla, fonte de reconhecimento e compreensão mútua.

A tarefa mais difícil é aquela do presidente. Ele deve motivar todos, sem que haja alguém acima que o motive. Se ele não vê uma utilidade nobre para seu trabalho, onde o dinheiro é a única recompensa, torna-se impossível motivar seus funcionários. Ora, se a organização passa ao empregado a sensação de que ele é dispensável, dependendo do ramo, é muito provável que a organização também seja dispensável para o empregado [2]. Resultado: crise, revoltas e falência.

Se a organização passa ao empregado a sensação de que ele é dispensável, dependendo do ramo, é muito provável que a organização também seja dispensável para o empregado [2].

É difícil dizer para alguém fazer algo que não se quer [3]. Então, não espere de uma pessoa aquilo que ela não pode dar. Mario Sergio Cortella, professor e filósofo, diz [4] que há uma enorme diferença de atitude e de postura entre vigiar e supervisionar. Vigiar é uma atitude passiva, à distância e desconfiada. Supervisionar é uma ação ativa, próxima e segura. “Quem dá uma festa supervisiona seus convidados, não os vigia”. Da mesma forma no trabalho: não se deve vigiar os funcionários, mas supervisioná-los, guardando uma atitude ativa, próxima e confiante que os motivará cada vez mais.

Quando um empregado é formado de maneira contínua por seu responsável, surge a percepção de pertencimento à história, ao contexto e ao funcionamento da organização. O assalariado terá, então, uma enorme capacidade de identificar as necessidades, que serão automaticamente ligadas aos objetivos daqueles que o empregaram. Como consequência, ele não apenas espera seu salário mensal, mas também se sente parte integrante de uma sociedade com um objetivo em comum. Por sua vez, o gestor ouve seu funcionário e reconhece, assim, mais facilmente as prioridades entre as necessidades.

Infelizmente, essa teoria não é infalível, mesmo com o melhor administrador do mundo, pois o bom senso das pessoas depende das oportunidades de aprendizado de cada um. Geralmente sabemos o que buscamos, mas nem todas as pessoas fazem o que elas querem: muitas fazem o que conseguem fazer.

Leia: A maioria não é modelo de sucesso

Infelizmente, essa teoria não é infalível, pois o bom senso das pessoas depende das oportunidades de aprendizado de cada um.

Ultrapassando a desigualdade de oportunidades de Ensino e Educação, com uma via de comunicação bidirecional, a tarefa de harmonizar as necessidades da organização e dos colaboradores torna-se incomparavelmente mais fácil. Terminamos por lembrar, então, do trecho no início deste texto: “É impossível atingir a excelência nos resultados financeiros, de produtividade e de tecnologia sem valorizar as pessoas”.

Na esfera das políticas públicas, as responsabilidades são sempre com as pessoas: físicas e jurídicas; e o objetivo também é a harmonia: deles e entre eles. Portanto, a ideia de comunicação bidirecional deveria ser igualmente válida.

E por que não em casa? Na família, nos esportes, entre os amigos? Enfim, em qualquer tipo de relação?

Aplique-a. A comunicação de mão dupla é construtiva para todos, fonte de acessibilidade, de colaboração e de compreensão mútuas. Em seguida, de produtividade, estabilidade e progresso.

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[2] Mario Sergio Cortella. Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética. 13ª Edição. Editora Vozes. 2011.

[3] Thomas Philippon. Le capitalisme d’héritiers – La crise française du travail. Seuil. 2007.

[4] Mario Sergio Cortella. Viver em paz para morrer em paz (paixão, sentido e felicidade). Coleção O que a Vida me Ensinou. Editora Saraiva. 2009.

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

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