Heróis de verdade


Resumo: “Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros”. (Roberto Shinyashiki)

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Marco Leonardelli Lovatto

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Abaixo, trechos da entrevista completa “Cuidado com os burros motivados”, com Roberto Shinyashiki, à revista ISTOÉ. Roberto já foi citado neste blog no texto Os políticos somos nós, com a frase “a maioria não é modelo de sucesso”, título de outro texto.

Heroi

“Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros”.

[…]

“O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa”.

[…]

“É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder”.

[…]

“Os MBAs ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades”.

[…]

“Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito”.

[…]

“Eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis”.

Espero que esses trechos incentivem-o a ler a entrevista completa. Finalmente, concluo com outra frase inspiradora: “A única pessoa que você deveria superar é a pessoa que você era ontem” [1].

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Referências:

[1] I May Not Know Too Much, But This I Know

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Leia também:

Jogo da Vida

Os políticos somos nós

A maioria não é modelo de sucesso

Independência não existe

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Teoria da Deriva


Resumo: “Deriva é uma maneira de perambular por uma cidade para sua descoberta como rede de narrativa, de experiências e de vivências”.

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Marco Leonardelli Lovatto

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Rastros de condensação de aeronaves em cruzeiro.

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“Deriva é uma maneira de perambular por uma cidade para sua descoberta como rede de narrativa, de experiências e de vivências.

Ao invés de permanecer aprisionado na rotina cotidiana e fazer todos os dias o mesmo trajeto, sem prestar a mínima atenção ao seu ambiente vital, a deriva incita os cidadãos a seguir suas próprias emoções para observar as situações urbanas por um ângulo radicalmente novo. Isto leva à constatação de que, se a maioria das nossas cidades são tão pouco prazerosas de viver, isso vem do fato de que elas foram concebidas sem a mínima preocupação sobre seu impacto emocional sobre seus habitantes”.

Essa teoria foi cunhada por Guy Debord, um “situacionista”. Os situacionistas visavam “abolir a noção de arte como uma atividade especializada e separada, transformando-a naquilo que seria parte da construção da vida cotidiana”.

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Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Internacional_Situacionista

http://fr.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9rive_(philosophie)

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Leia também: Jogo da Vida

Ou veja todos os textos publicados.

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Este texto está sob uma licença livre Creative Commons. Permite-se e incentiva-se a cópia, tradução e adaptação por qualquer meio, desde que para fins não comerciais, mantendo-se essas mesmas condições e fazendo referência ao link original do texto em maodupla.org.

O que é “Open Space”?


Resumo: “Open Space” (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa, onde os tópicos são propostos pelos participantes, e estes são livres para transitar entre as discussões. O resultado é uma experiência de liberdade num ambiente de criação e aprendizado de mão dupla.

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Marco Leonardelli Lovatto

Pré-Start, 17.10.2012

Pré-Start: co-criação de conceitos de um “evento sustentável”. Net Impact Porto Alegre.

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O Open Space (espaço aberto) é uma técnica de criação livre e colaborativa.

Num encontro onde é praticado o Open Space, não há apenas um foco de discussão, mas diversos. Cada foco é um tópico, possivelmente uma pergunta, do tipo: “Por que os impostos nos são impostos?”.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro. Cada tópico vai chamar atenção de quem compartilha competências ou inquietações semelhantes, referentes ao tópico.

Embora um tema global possa ser escolhido, os tópicos são propostos livremente pelos participantes, na hora do encontro.

Tópicos semelhantes podem fundir-se num único tópico.

Tópicos diferentes são grupos diferentes, e grupos diferentes ficam em espaços diferentes. Existem três regras fundamentais:

1. Atraso do julgamento: não elimine ideias aparentemente ruins, pois podem juntar-se com outras e gerar algo genial.
2. Diálogo: falar com intenção e ouvir com atenção.
3. Regra dos dois pés: se você não está contribuindo ou aprendendo, utilize seus dois pés e saia do grupo, migrando para outro livremente. Não precisa nem dar tchau, o que interromperia o diálogo.

Quem propôs a discussão é o anfitrião, o único que deve permanecer no grupo e o responsável por:

1. Acolher quem quiser entrar e não questionar quem quiser sair.
2. Fazer a “colheita” (tomar notas) daquilo que está sendo co-criado.

Os diálogos em grupos têm uma duração determinada, chamada “sessão”. Ao fim da sessão, o anfitrião de cada tópico apresenta o resultado da co-criação a todos os outros.

É possível haver uma segunda sessão, terceira, quarta,… com novos tópicos ou continuando os anteriores.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

O resultado, além daquilo que foi co-criado, é uma experiência de liberdade num ambiente de aprendizado de mão dupla.

Se você estiver participando de um verdadeiro Open Space e não conseguir conversar sobre aquilo que você realmente quer, a culpa é toda sua. 🙂

Ah! E não esqueça de deixar o café e o lanche liberados. Afinal, se nos encontros tradicionais é só no coffee break onde falamos sobre o que realmente queremos, por que não transformar o coffee break no próprio encontro? 😀

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Inspiração: Estaleiro Liberdade – Preview.

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Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Jogo da Vida


Resumo: Transformar a vida num jogo repleto de etapas, buscando por títulos, posses e cargos, apenas nos manterá correndo. É grande o risco da ambição transformar-se em ganância e de perdermos a nossa essência única.

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Marco Leonardelli Lovatto

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Recentemente, deparei-me com o Jogo da Vida, da Estrela, destinado a crianças. É um jogo individual onde temos um caminho com diversas etapas a ser percorrido. Apenas um jogador ganha e todos os outros perdem. O objetivo final: tornar-se um milionário.

É verdade que todas as nossas relações econômicas giram em torno das finanças, onde o dinheiro é a ferramenta que nos dá direito a acessar aquilo que é produzido pelo trabalho dos outros. Por outro lado, ensinar às crianças que a vida resume-se a competir pelo dinheiro, conquistas e posses é algo com o qual não compactuo.

Um milionário pode ser também uma pessoa carente. Acredito que as comunidades mais carentes são aquelas que carecem de satisfação. Que carecem de sorriso, integração e confiança entre as pessoas desconhecidas, algo extremamente frequente nas classes ricas. São pessoas que tiveram boas oportunidades de ensino, inclusive sobre como o dinheiro é importante. Entre elas, todavia, há pessoas que não trabalham vivendo, mas vivem trabalhando [1], como se a vida fosse um jogo a ser ganho sobre os outros. No fim do dia voltam para casa, um refúgio cercado por grades, câmeras e cercas elétricas, onde não se conhece o nome do vizinho de baixo. Preocupam-se com o futuro e com as coisas que ainda conquistarão. Nos momentos de folga, precisam compensar o trabalho duro. Compram e compram, tentando preencher o vazio e dar significado a alguma coisa [1].

Nos momentos de folga, precisam compensar o trabalho duro. Compram e compram, tentando preencher o vazio e dar significado a alguma coisa [1].

Pobre é a pessoa insatisfeita. Transformar a vida num jogo repleto de etapas, buscando por títulos, posses e cargos, apenas nos manterá correndo. Enquanto a felicidade estiver sempre na etapa seguinte, por mais que joguemos, é grande o risco da ambição transformar-se em ganância e de perdermos a nossa essência única. “Isso acontece com todos nós quando pisamos demais no acelerador e entramos numa rotina sem reflexão” [2]. Como alternativa, posso lembrar-me que sou culpado pela miséria do mundo sempre que estou mais preocupado em ser ajudado do que em ajudar, em ser servido do que em servir. Servir, com nossos melhores potenciais e habilidades, garantia da qualidade. Essa é a remuneração da alma, e que ninguém pode comprar.

Sou culpado pela miséria do mundo sempre que estou mais preocupado em ser ajudado do que em ajudar, em ser servido do que em servir.

Entendo o Jogo da Vida como uma iniciativa de aproximar as crianças do mundo como ele funciona, mas acaba distanciando-as da busca em servir à sociedade com seus melhores potenciais. Se ficarmos a vida toda correndo atrás de etapas e sonhos de consumo, teremos desperdiçado uma valiosa existência.

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Inspirações:

[1] Texto Viver Trabalhando ou Trabalhar Vivendo?, de Victor Hugo Reimann.

[2] William P. Young, autor dos best-sellers A Cabana (2007) e A Travessia (2012), em sua entrevista à revista ÉPOCA, de 19 de novembro de 2012.

– Filmes Click (2006), Como Estrelas na Terra (2007) e 3 Idiotas (2009). Os dois últimos não são comercializados no Brasil.

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O que é “Open Space”?

Independência não existe

A crise não é econômica

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Onde estão os líderes?


Resumo: você trabalha vivendo ou vive trabalhando? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Você trabalha com o propósito de gerar valor socialmente útil ou apenas como uma ferramenta de gerar valor financeiro?

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Marco Leonardelli Lovatto

Se você não está cultivando o próprio alimento, é porque alguém está fazendo isso por você. O trabalho é fundamental à vida. Mas você deseja viver trabalhando ou, quem sabe, trabalhar vivendo? O que está dentro de ti, hoje?

É verdade que nós só precisamos de dinheiro porque os outros também precisam. Mas, se você não precisasse de dinheiro, o que você faria para nós?

No trabalho, nos estudos e perante à sociedade, você escolheu ou foi escolhido? Você se sente importante ou dispensável? Você é escutado ou barrado? Você se sente inspirado ou expirado? Você cansa ou se estressa? Você realiza ou obedece? Você é liderado ou chefiado? Se sua resposta for sempre a segunda, cuidado: você não vive numa democracia.

Estou falando de uma completa desordem de valores, onde o dinheiro é o maior condutor das decisões humanas e, claro, da persuasão [1]. “Hoje, vivemos numa democracia”. Óbvio? Não, porque está errado. Vivemos num sistema onde o verdadeiro poder sempre foi financeiro, em oposição ao poder de inspirar ações com propósito.

Leia: Nem direita, nem esquerda: você mesmo

Cuidado com o óbvio. “É uma âncora que paralisa o pensamento e induz à falsidade, à distorção, ao erro” [2].

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais. Daí vem as palavras “missão” e “recrutamento”. Tais grupos não lhe querem trabalhando com elas, mas para elas. Salvo algumas exceções, não há interesse por pessoas inovadoras: elas querem trabalhadores obedientes. Portanto, se você acha que essas grandes e antigas empresas corporocráticas estão tentando contratar as pessoas mais bem informadas, perceptivas e criativas, desculpe-me em desapontá-lo.

Algumas das grandes e antigas corporações foram construídas em valores militares herdados das guerras mundiais, buscando trabalhadores obedientes.

A maioria dessas corporações mantém uma estrutura organizacional verticalizada e de comunicação unidirecional, de cima para baixo, sem que os cargos inferiores sejam prontamente ouvidos pelos superiores. Tudo para manter o status quo financeiro do cargo, onde o chefe está lá, preso à hierarquia, muito mais por ser alguém capaz de fazer dinheiro do que alguém capaz de inspirar pessoas.

Ali, o que se quer são pessoas suficientemente capazes de conduzir as tarefas determinadas pelo alto da hierarquia e ingênuas o suficiente para aceitar passivamente toda essa dominação tradicional. É uma dominação legítima que transforma o trabalhador numa ferramenta de gerar valor financeiro – para o grupo ou para si mesmo -, ao invés de num ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra: gerar um valor socialmente útil.

É muito comum os trabalhadores sentirem-se uma ferramenta de gerar valor financeiro, ao invés de um ator integrado que entenda o verdadeiro propósito de sua obra.

Leia: Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

De fato, há muitos chefes que não são líderes, porque não inspiram. Acreditam no dinheiro como o fundamento da sobrevivência própria e da corporação e que, através dele, pode-se ser independente. Entretanto, num mundo onde a maioria das pessoas não cultiva o próprio alimento, podemos mesmo ser “independentes”? Uma pessoa ou um grupo pode se auto-organizar, se auto-administrar, mas jamais será independente. Em sociedade, nós somos, na verdade, interdependentes.

Leia: Independência não existe

Se você acha, também, que práticas incorretas e as notícias ruins que vemos no jornal, rádio e televisão são exceções frente a um mundo baseado em valores humanos, triste ilusão. Basta discutir com alguns consultores de negócios – daqueles que acreditam no dinheiro como a solução para tudo – e você vai descobrir: planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não passa de negócios como de costume.

Planejar os passos sumariamente pisando nos desatentos não é a exceção de um mundo baseado em valores humanos. Tristemente, não passa de negócios como de costume.

O mesmo acontece na esfera da política partidária e instituições governamentais no mundo inteiro. Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas nessa esfera devido ao poder da mídia tradicional, que frequentemente quer proteger seus interesses e não necessariamente as verdadeiras necessidades do seu público-alvo. Qual empresa de jornal, rádio ou televisão você conhece que utiliza a internet como canal eficiente para constante discussão com os cidadãos sobre aquilo que é noticiado, de forma aberta e amplamente visível a todos? No Brasil, não conheço nenhuma.

Incorretamente, a “culpa” acaba caindo apenas na esfera da política partidária e instituições governamentais devido ao poder da mídia tradicional.

Leia: A maioria não é modelo de sucesso

A grande maioria das pessoas no mundo sabe o que faz. Algumas sabem como fazem. Poucas, muito poucas, sabem porque fazem algo que não é pelo dinheiro [3]. São pessoas que, mesmo não precisando de dinheiro, continuariam trabalhando. É gente que tem um propósito de trabalho ligado à sua paixão e em nome da qualidade de vida coletiva. Gente que não está presa a espécie alguma de hierarquia, sendo verdadeiros líderes ou verdadeiros liderados, inspirados, e não expirados. Um trabalho que cansa, mas não estressa, pois se conhece o propósito, o resultado, aonde se quer chegar: o horizonte.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1]. E, para lhe dar a certeza de que nós não estamos apenas estudando a História do homem, mas também a moldando, lhe convido a ler o próximo texto: “Nem direita, nem esquerda: você mesmo”. Ali eu deixo uma série de exemplos de verdadeiros líderes – passando bem longe de Steve Jobs – que estão começando a mudar o mundo, também uma grande esperança à verdadeira democracia.

Felizmente, não há evidência alguma mostrando que os valores tradicionais e práticas comuns da atualidade serão relevantes amanhã [1].

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Inspirações:

George Carlin – The American Dream

Referências:

[1] Peter Joseph – Culture in Decline.

[2] Mario Sergio Cortella, Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, 13ª ed, Petrópolis, Vozes, 2011.

[3] Simon Sinek – Como grandes líderes inspiram ação.

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Textos relacionados:

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A maioria não é modelo de sucesso

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A crise não é econômica


Resumo: Originalmente, as crises de 1929 e 2008 não foram crises econômicas, e sim financeiras. Afinal, não houve qualquer catástrofe: os recursos naturais, as pessoas e os produtos dos quais dependemos continuavam lá. A verdadeira economia estava intacta, tendo sido prejudicada unicamente pela falta da ferramenta de troca. No entanto, trabalho é o fundo que menos falta.

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Marco Leonardelli Lovatto

Em 1929 e 2008 não houve crise econômica. Naqueles anos, o dinheiro que desapareceu nem sequer existiu, pois não representava valor real de algo que pudéssemos utilizar. Era um valor de mentira: dinheiro inflado por dívidas sobre juros e hipotecas que se tornaram impagáveis. Para quem fez os empréstimos, motivados pelo lucro dos juros, bastava acreditar que eles seriam pagos para que a produção continuasse circulando.

Para quem emprestou dinheiro, bastava acreditar que ele voltaria para que a produção continuasse circulando.

Mas, de repente, quando se descobriu o rombo financeiro, decidiu-se que as fábricas deveriam parar e os funcionários deveriam ser demitidos, gerando abalo econômico.

Crise econômica, na sua origem, só ocorre quando há terremoto, tsunami, incêndio, furacão, guerra, epidemia, atentado terrorista… enfim, situações onde há perda de vidas e de potencial de produção, o que afeta, por sua vez, quem conseguiu sobreviver.

Contrariamente a uma verdadeira crise econômica, enquanto George W. Bush fazia seu pronunciamento em 24 de setembro de 2008 anunciando a quebra, as casas de todas as pessoas continuavam lá. Os carros continuavam lá. As pessoas continuavam de roupa. E, se as roupas estivessem sujas, as máquinas de lavar continuavam lá. As plantações estavam repletas de alimento e os mercados repletos de produtos. Tudo exatamente como no dia anterior. Pasme: naquele 24 de setembro, nada foi abduzido por extraterrestres. Todos os produtos que permitiam a sobrevivência, conforto, saúde, diversão e educação das pessoas continuavam lá. Aquilo do qual realmente dependemos permanecia disponível. A verdadeira economia estava intacta.

A crise financeira internacional só tornou-se crise econômica por que as pessoas acreditam que são dependentes das finanças. Entretanto, não dependemos fundamentalmente do dinheiro, e sim das pessoas e dos recursos naturais.

Quando se descobriu a quebra financeira, a verdadeira economia estava intacta. O motivo é que não dependemos fundamentalmente do dinheiro, e sim das pessoas e dos recursos naturais.

Leia: Independência não existe

Mesmo assim, porque o dinheiro desapareceu, de repente muitas pessoas e grupos não tinham mais direito a acessar aquilo que continuava disponível.

Há muito, quem sabe desde sempre, o mundo está imerso numa grande confusão entre a economia e as finanças. São duas coisas distintas: economia (ou economia real) é a circulação de produtos, finanças é a ferramenta que o homem encontrou para organizar essa circulação. É claro que a moeda foi criada com o intuito de se facilitar as trocas, mas devemos considerar normal que sua expansão desproporcional a qualquer natureza, e consequente “falta”, deva impedir tais trocas? Aonde está o problema? Qual a origem dessa “bolha”? Num sistema financeiro desregrado ou no o maior valor dado às finanças sobre aquele dado à economia real, ou seja, às pessoas e recursos naturais de que dependemos?

Qual a origem dessa “bolha”? Num sistema financeiro desregrado ou no o maior valor dado às finanças sobre aquele dado à economia real, ou seja, às pessoas e recursos naturais de que dependemos?

Mario Sergio Cortella [1] diz que momento de crise também é momento de oportunidade. Crise gera dúvida, e não haveria avanço nas ciências, na economia, na humanidade, na vida pessoal, se as pessoas não tivessem dúvida.

É sempre melhor não ter certeza das coisas. É a dúvida que faz o homem avançar, não a certeza. A certeza pode levar ao engano, já a dúvida conduzirá à descoberta. Em 1929 e 2008, todos sentiram falta de fundos financeiros. No entanto, trabalho é o fundo que menos falta.

Trabalho é o fundo que menos falta.

Leia: Comunicação de mão dupla – valorizando as pessoas

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Inspirações:

Le Laboureur et ses Enfants (O Lavrador e Seus Filhos) – fábula de Jean de la Fontaine.

Living on the edge – Elf Pavlik; Waking Up Movie; Peter Joseph – A grande questão.

Referências:

[1] Mario Sergio Cortella, Qual é a tua obra? – Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética, 13ª ed, Petrópolis, Vozes, 2011.

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Leia também:

Onde estão os líderes?

Independência não existe

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Independência não existe


Resumo: Num mundo onde a maioria das pessoas não cultiva o próprio alimento, podemos mesmo ser “independentes”? Não dependemos fundamentalmente do dinheiro, e sim das pessoas. Todavia, o homem esqueceu-se disso no momento em que inventou a moeda, geradora de um mundo que só ensina a ajudar os outros depois de competir pelo dinheiro.

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Antes de confundir esse texto com uma tendência comunista, recomendo a leitura de “Nem direita, nem esquerda: você mesmo“; ou tão simplesmente da nosso propósito.

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Marco Leonardelli Lovatto

No próximo texto a ser publicado, chamado A crise não é econômica, vou procurar deixar claro que a crise financeira internacional só tornou-se crise econômica porque as pessoas acreditam que são dependentes das finanças.

Entretanto, ninguém come dinheiro. Se hoje você não está plantando, colhendo, criando, abatendo e fazendo a limpeza para recomeçar tudo no dia seguinte é porque alguém está fazendo isso por você. Neste exato momento.

Se hoje você não está plantando, colhendo, criando, abatendo e fazendo a limpeza para recomeçar tudo no dia seguinte é porque alguém está fazendo isso por você.

Imagine que existam apenas três pessoas num vilarejo: um artesão, um fruteiro e um agricultor. O agricultor carrega o único dinheiro que tem com o objetivo de comprar um cobertor do artesão, pois está com frio. O artesão, com o dinheiro que recebeu do agricultor, irá comprar um cacho de bananas do fruteiro, pois está com fome. O fruteiro, por sua vez, com aquele dinheiro, irá pagar o agricultor do início da história por mais um cacho de bananas: o dinheiro voltou à sua origem.

A primeira observação é que ninguém ganhou um tostão e ninguém perdeu um tostão, o que não impediu de os produtos circularem. A segunda observação é, na verdade, uma pergunta: supondo que o agricultor, sem querer, deixe cair o dinheiro num precipício de forma que ele seja irrecuperável, o artesão vai morrer de fome, o agricultor vai morrer de frio e o fruteiro vai deixar de plantar?

A resposta mais fácil é “não, claro que não”. Entretanto, é justamente isso o que aconteceu nas crises de 1929 e 2008: antes de se descobrir o desaparecimento do dinheiro, os produtos dos quais dependemos continuavam existindo. Mesmo assim, porque o dinheiro desapareceu, de repente muitas pessoas e grupos não tinham mais direito a acessar aquilo que continuava disponível.

Leia: A crise não é econômica

Caro leitor, é hora de acordarmos e dar-nos conta de que, em sociedade, independência não existe. Independência financeira não nos torna independentes das pessoas. Vivendo em sociedade, cada um de nós é dependente do que ela produz e, portanto, de todas as pessoas que ela compõe. A história do vilarejo é apenas uma alegoria da sociedade na qual vivemos: interdependente.

Vivendo em sociedade, cada um de nós é dependente do que ela produz e, portanto, de todas as pessoas que ela compõe.

Não é o seu dinheiro que lhe oferece bens e serviços, e sim as pessoas que trabalham por eles. Não serei servido de um prato saboroso num bom restaurante porque posso pagar por isso, mas porque existe alguém capaz de me servir. Por exemplo, o alimento que o restaurante me oferece foi produzido por um agricultor, e o professor que contribuiu para a formação dele está sentado à mesa ao lado. Sem que ninguém no restaurante saiba, eu contribuí para a existência do parque eólico que garante energia elétrica para a família do agricultor. Fiz isso graças à energia alimentar que o restaurante me proporcionou.

Se eu vivo em sociedade, nunca serei independente. Para falar a verdade, nem mesmo financeiramente independente poderei ser. Afinal, o dinheiro que eu ganho não depende apenas do meu trabalho, uma vez que meu trabalho depende do trabalho de outros.

O dinheiro que você ganha não depende apenas do seu trabalho, uma vez que seu trabalho depende do trabalho de outros.

O homem coopera muito mais do que se imagina, e o fato é que sempre cooperou. Ele apenas se esqueceu disso no momento em que inventou a moeda, a tal “mercadoria coringa”, geradora de um mundo onde o homem só é ensinado a ajudar os outros depois de competir pelo dinheiro.

O trabalho deixou de ser visto como uma necessidade e passou a ser visto como um meio. Um meio de se obter conforto. Quanto mais conforto se quer, mais se trabalha e menos interagimos com o cidadão ao lado, porque ele também é egoísta na sua busca por conforto individual. O resultado é que o valor dado ao dinheiro sobrepôs-se ao valor dado às pessoas, gerando uma sociedade competitiva, e não cooperativa, prejudicando cada vez mais as relações de confiança, as únicas que trazem verdadeira qualidade de vida. Entretanto, trabalhar é ajudar, e não há quem tenha sucesso e seja feliz no trabalho sem ter como propósito ajudar os outros.

Trabalhar é ajudar, e não há quem tenha sucesso e seja feliz no trabalho sem ter como propósito ajudar os outros.

As pessoas trabalham por um grupo ou por elas mesmas, e isso todos sabemos. O que muita gente não sabe é que sua obra é muito maior. Sua obra é a sociedade. A pessoa trabalha para a sociedade, que também trabalha para ela.

Não sabemos viver sozinhos. Portanto, está na hora de qualificar as interações e diminuir a ineficiência de se trabalhar separadamente com objetivos semelhantes. Afinal, ninguém tem respostas completas para os problemas que enfrentamos e cada um de nós é ruim na pretensão de ser o melhor [1].

Leia: Os políticos somos nós

Está na hora de qualificar as interações e diminuir a ineficiência de se trabalhar separadamente com objetivos semelhantes.

Luiz Fernando Veríssimo escreveu:  “O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos”. Muito além de literatura filosófica, é uma observação evidente para quem entende que somos interdependentes. Ser honesto e bom, embora cauteloso num mundo onde não se pode confiar em todos, potencializa o encontro de pessoas com as mesmas inquietações. Por exemplo, a cada palavra dita ou ação feita rumo ao nosso propósito, a sociedade sofre um impacto positivo.  Lento, mas positivo.

Sua integração nos Trilhos de Mão Dupla gera um retorno para você mesmo, mas coletivo, e nada pode ser mais correto que o bem comum.

Como disse Madre Tereza de Calcutá: “O problema com o mundo é que traçamos um círculo muito pequeno para a nossa família”. Na verdade, ele tem 13 mil quilômetros de diâmetro.

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INTERDEPENDÊNCIA ou morte!

001 Ricardo guimaraes from TEDxRio on Vimeo.

Referências:

[1] “Cada um de nós é ruim na pretensão de ser o melhor”. (Pe. Marc Lambret)

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Conheça nosso propósito e integre-se!

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Leia também:

A crise não é econômica

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A maioria não é modelo de sucesso

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